sábado, 28 de fevereiro de 2015



O que é normal e o que é patológico?

O conceito de "normal" é algo desenvolvido pela cultura e pela sociedade. O que é normal em uma comunidade pode ser totalmente estranho para outra. Não ser normal não é uma doença! 












quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015



TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL - TCC

A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), é baseada em evidências científicas, principalmente no campo da neurociência. Diversos estudos apresentam mudanças cerebrais após intervenções com a TCC.


A base da terapia cognitiva é o modelo cognitivo, em que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados pela sua percepção dos eventos. Não é a situação por si só que determina o que as pessoas sentem, mas o modo como elas interpretam a situação.





De forma simplificada, podemos dizer que aprendemos a ser como somos, aprendemos a pensar, sentir e agir. Essa aprendizagem é constante seja com a família, com a comunidade, com a escola, com a televisão ou qualquer outro meio e contexto que o ser humano tiver contato. 

A percepção dos fatos é algo muito pessoal, o mesmo acontecimento pode ser interpretado de acordo com o que cada pessoa acredita ser "verdadeiro" para ela, o que chamamos de crenças.





CRENÇAS

As crenças podem ser classificadas em duas categorias: crenças intermediárias (compostas por regras, atitudes e suposições) e crenças centrais (ideias absolutistas, rígidas e globais sobre si próprio/e ou outros).

CRENÇAS CENTRAIS

As chamadas crenças centrais são conteúdos cognitivos rígidos e profundos, ideias centrais que a pessoa tem de si mesma, dos outros e do mundo. Alguns autores também a chamam de esquemas. Beck, porém, enfatiza a diferença entre a estrutura cognitiva, o chamado esquema, e o conteúdo da estrutura, no caso a crença central. Uma pessoa que desenvolve um esquema ligado ao abandono, pode desenvolver uma crença central como “eu não mereço ser amado”; “não posso confiar em ninguém”; “os outros irão magoar-me”.

O nível mais profundo da cognição é a Crença Central. São afirmações absolutas a respeito de nós mesmos, a respeito dos outros ou do mundo. Ex: dentre as crenças centrais de Marisa, estavam “sou inútil”, “Não mereço ser amada” e “Sou inadequada”. Suas crenças sobre os outros “os outros são perigosos”, “As pessoas vão me machucar”, “As pessoas são más”, ela acreditava que “o mundo estava cheio de problemas insuperáveis”. Todas essas crenças são absolutistas, 75% dessas crenças não há qualificações. Ela acredita que “não vale nada” (absolutamente).

Essas crenças se desenvolvem na infância à medida que a criança interage com outras pessoas significativas e encontra uma série de situações que confirmem essa ideia. Durante grande parte de suas vidas, a maioria das pessoas pode manter as crenças centrais relativamente positivas e saudáveis ( ex: “Eu consigo fazer isso sem problemas”; “eu sou legal”). As crenças centrais negativas/disfuncionais/desadaptativas podem vir á tona apenas durante momentos de aflição psicológica. Alguns pacientes com transtorno de personalidade podem ter as crenças centrais negativas quase que continuamente ativadas. Algumas das crenças de infância permanecem absolutas mesmo na vida adulta. 

As crenças centrais dos pacientes podem ser categorizadas na esfera do desamparo, na esfera do não ser amado, dentre outras. Sempre que o paciente apresentar dados (problemas, pensamentos automáticos, emoções, comportamentos e histórias), o terapeuta “presta atenção” na categoria da crença central que parece ter sido ativada. 

CRENÇAS INTERMEDIÁRIAS

As crenças intermediárias são o nível existente entre os Pensamentos Automáticos e as crenças centrais. As crenças intermediárias constituem uma forma de reduzir o sofrimento provocado pelas crenças centrais, consistindo basicamente de regras e suposições como “eu devo”, “eu tenho que”, “se...então”.

Pensamentos automáticos, simplesmente surgem em nossas mentes automaticamente. Esses pensamentos não ocorrem apenas com as pessoas com angústias; eles são uma experiência comum a todos nós. A maior parte do tempo, nós mal estamos cientes desses pensamentos, embora com apenas um pouquinho de treino possamos facilmente trazer esses pensamentos à consciência. Os pensamentos automáticos manifestam a maneira como significamos as situações bem como as distorções que fazemos da realidade. Parecem surgir espontaneamente e, em geral, estamos mais cientes da emoção que sentimos decorrência deles do que do próprio pensamento. Podem estar em formas verbais, visuais ou ambas. 

Os pensamentos automáticos de interesse ao terapeuta, são aqueles que nos ajudam a compreender os estados de humor fortes. Tais pensamentos podem ser palavras (“Serei despedido”), imagens (pode ter “visto a cena mental” do chefe mandando embora) ou recordações (ficar lembrando de como foi terrível se despedido do seu primeiro emprego quando era jovem).

Para identificar pensamentos automáticos, observe o que se passa em sua mente quando você experimenta um sentimento ou uma reação forte a alguma coisa.
Comece a perceber quantas coisas passam por sua cabeça em apenas 1 hora, como são esses pensamentos e  quais sentimentos surgem com esses pensamentos.


REFERÊNCIAS:

GREENBERGER, Denis; PADESKY, A. Christine. A mente vencendo o humor. Porto Alegre. Artmed, 1999.
BECK, Judith S. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto alegre. Artmed, 1997.