TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL - TCC
A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), é baseada em evidências científicas, principalmente no campo da neurociência. Diversos estudos apresentam mudanças cerebrais após intervenções com a TCC.
A base da terapia cognitiva é o modelo cognitivo, em que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados pela sua percepção dos eventos. Não é a situação por si só que determina o que as pessoas sentem, mas o modo como elas interpretam a situação.
De forma simplificada, podemos dizer que aprendemos a ser como somos, aprendemos a pensar, sentir e agir. Essa aprendizagem é constante seja com a família, com a comunidade, com a escola, com a televisão ou qualquer outro meio e contexto que o ser humano tiver contato.
A percepção dos fatos é algo muito pessoal, o mesmo acontecimento pode ser interpretado de acordo com o que cada pessoa acredita ser "verdadeiro" para ela, o que chamamos de crenças.
CRENÇAS
As crenças podem ser classificadas em duas categorias:
crenças intermediárias (compostas por regras, atitudes e suposições) e crenças
centrais (ideias absolutistas, rígidas e globais sobre si próprio/e ou outros).
CRENÇAS CENTRAIS
As chamadas crenças centrais são conteúdos cognitivos
rígidos e profundos, ideias centrais que a pessoa tem de si mesma, dos outros e
do mundo. Alguns autores também a chamam de esquemas. Beck, porém, enfatiza a diferença entre a estrutura cognitiva, o chamado esquema,
e o conteúdo da estrutura, no caso a crença central. Uma pessoa que
desenvolve um esquema ligado ao abandono, pode desenvolver uma crença central
como “eu não mereço ser amado”; “não posso confiar em ninguém”; “os outros irão
magoar-me”.
O nível mais profundo da cognição é a Crença Central. São
afirmações absolutas a respeito de nós mesmos, a respeito dos outros ou do
mundo. Ex: dentre as crenças centrais de Marisa, estavam “sou inútil”, “Não mereço
ser amada” e “Sou inadequada”. Suas crenças sobre os outros “os outros são
perigosos”, “As pessoas vão me machucar”, “As pessoas são más”, ela acreditava
que “o mundo estava cheio de problemas insuperáveis”. Todas essas crenças são
absolutistas, 75% dessas crenças não há qualificações. Ela acredita que “não vale nada”
(absolutamente).
Essas crenças se desenvolvem na infância à medida que a
criança interage com outras pessoas significativas e encontra uma série de situações
que confirmem essa ideia. Durante grande parte de suas vidas, a maioria das
pessoas pode manter as crenças centrais relativamente positivas e saudáveis ( ex: “Eu
consigo fazer isso sem problemas”; “eu sou legal”). As crenças centrais
negativas/disfuncionais/desadaptativas podem vir á tona apenas durante momentos
de aflição psicológica. Alguns pacientes com transtorno de personalidade podem
ter as crenças centrais negativas quase que continuamente ativadas. Algumas das
crenças de infância permanecem absolutas mesmo na vida adulta.
As crenças centrais dos pacientes podem ser categorizadas
na esfera do desamparo, na esfera do não ser amado, dentre outras.
Sempre que o paciente apresentar dados (problemas, pensamentos automáticos,
emoções, comportamentos e histórias), o terapeuta “presta atenção” na categoria
da crença central que parece ter sido ativada.
CRENÇAS
INTERMEDIÁRIAS
As crenças intermediárias são o nível existente entre os
Pensamentos Automáticos e as crenças centrais. As crenças intermediárias
constituem uma forma de reduzir o sofrimento provocado pelas crenças centrais,
consistindo basicamente de regras e suposições como “eu devo”, “eu tenho que”,
“se...então”.
Pensamentos automáticos, simplesmente surgem em nossas
mentes automaticamente. Esses pensamentos não ocorrem apenas com as pessoas com
angústias; eles são uma experiência comum a todos nós. A maior parte do tempo,
nós mal estamos cientes desses pensamentos, embora com apenas um pouquinho de
treino possamos facilmente trazer esses pensamentos à consciência. Os pensamentos automáticos manifestam a maneira como
significamos as situações bem como as distorções que fazemos da realidade.
Parecem surgir espontaneamente e, em geral, estamos mais cientes da emoção que
sentimos decorrência deles do que do próprio pensamento. Podem estar em formas
verbais, visuais ou ambas.
Os
pensamentos automáticos de interesse ao terapeuta, são aqueles que nos ajudam a
compreender os estados de humor fortes. Tais pensamentos podem ser palavras
(“Serei despedido”), imagens (pode ter “visto a cena mental” do chefe mandando
embora) ou recordações (ficar lembrando de como foi terrível se despedido do
seu primeiro emprego quando era jovem).
Para identificar pensamentos
automáticos, observe o que se passa em sua mente quando você experimenta um
sentimento ou uma reação forte a alguma coisa.
Comece a perceber quantas coisas passam por sua cabeça em apenas 1 hora, como são esses pensamentos e quais sentimentos surgem com esses pensamentos.
REFERÊNCIAS:
GREENBERGER,
Denis; PADESKY, A. Christine. A mente vencendo o humor. Porto Alegre. Artmed, 1999.
BECK,
Judith S. Terapia cognitiva: teoria
e prática. Porto alegre. Artmed, 1997.